Possibilidade do grupo Tholl deixar Pelotas mobiliza internautas
Impasse com a UFPel pode fazer com que a trupe fique sem sede para ensaiar
A possibilidade do Grupo Tholl, de Pelotas, ficar sem sede para ensaiar mobilizou internautas que participaram de mural em zerohora.com. Você acha que o grupo circense ficar sem sede na cidade em que nasceu é um problema dos órgãos públicos ou o grupo deve resolver sozinho o problema?
Boa parte dos participantes do mural defende a permanência do grupo em Pelotas e cobra do poder público uma solução para o caso.
— Tudo que é bom acaba indo embora daqui de Pelotas por falta de incentivos por parte dos órgãos públicos. É lamentável isso acontecer. Onde estão os responsáveis pela cultura dessa cidade, que é a princesa do sul? — questiona Luiz Fernando Medeiros Pinto, de Pelotas.
— O mundo cultural é assim mesmo no Brasil. Há somente verbas públicas para grandes artistas, pois os pequenos têm sim os chamados "pai-trocinadores", isto é, os pais dos artistas bancando seus filhos para mostrar o talento — reclama Jairo Ferreira, de Santo Ângelo.
Mas há quem defenda o contrário:
— Pelotas é reconhecida nacionalmente pela cidade do doce. Imaginem vocês se cada doceira quisesse uma casa para sua produção. O Tholl é uma empresa privada e tem que arcar com esse custo — alega Luis G., de Pelotas.
— Eles que se arrumem sem ajuda do governo. Afinal, pagamos impostos altíssimos. E quando queremos assistir a um espetáculo deles, o preço é astronômico. Não tem nada de popular — critica Patrícia, de Porto Alegre.
Elisabete Cavalcante, de Porto Alegre, propõe campanha para que o grupo venha para a Capital. Ela chega a oferecer a própria casa para hospedar integrantes do grupo:
— Acredito que esteja na hora do grupo crescer mais ainda. Vir pra Capital seria um crescimento. Aqui os apoios em todas as áreas mais fáceis. Quanto à dificuldade de trazer o elenco, acho que pode ser facilmente resolvida com alojamentos em escolas ou até em casas de família. Eu, desde já, poderia alojar ao menos cinco jovens em minha casa... Mais alguém?
A polêmica
O local onde atualmente são feitos os ensaios, na Rua Almirante Tamandaré, no Centro, pertence à Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que solicitou o espaço para ministrar o curso de dança e teatro da universidade. A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) apresentou uma alternativa de sede provisória no Instituto de Menores da instituição para que o Tholl possa treinar. Mas, segundo o diretor-geral do grupo, João Bachilli, o espaço seria insuficiente para a dimensão que o Tholl atingiu. Além disso, seria necessário um investimento de R$ 200 mil para adequação.
O Tholl tem 160 integrantes que fazem parte de dois espetáculos, Imagem e Sonho e Exotique, além do projeto de inclusão social independente administrado pelo grupo. O prédio que o Tholl quer é a antiga Fábrica da Brahma, no bairro Porto, em Pelotas. De acordo com a direção da trupe, a aquisição seria feita através de parcerias e de recursos próprios. E a proposta é de que o local fosse transformado em um Centro Cultural, com a participação de outras empresas interessadas.
Para o prefeito de Pelotas, Adolfo Fetter Júnior (PP), o prédio seria grande demais para abrigar o Tholl. O local foi oferecido à UFPel, que assumiria o compromisso de destinar parte do espaço de 6 mil metros quadrados ao Tholl. Segundo a prefeitura, a restauração levaria até três anos, ao custo de R$ 8 milhões.
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